C I D A D E V A Z I A



Sinta-se desconfort�vel na Cidade Vazia.

Aqui � o meu Lar, aqui eu vivo, aqui eu estou.

Fora daqui, existe alguma coisa?

Ethan Green



Lim�ozinho

Gene Podre

Rumo � Tempestade





17/11/2005 13:24
Av.Meriti

Enquanto o burburinho do shopping vai ficando pra trás, e seus últimos sons já se misturam com o novo burburinho, do exterior, do trânsito, você começa a pensar e pensar. Pensar sobre a vida, pensar sobre tudo, sobre o nada que permeia e preenche o tudo, cada átomo, cada quark, pensar e pensar. Nesse momento, você se sente invadir pelo medo das consequências de pensar, dos desdobramentos sucessivos que cada pensamento provoca em si mesmo, multiplicando-se em diversos outros, que por sua vez em nada diminuem a fúria de se reproduzir em muitos outros, em um expandir-se sem fim. Você pisa sem cuidado na calçada mal-cuidada, maltratata como toda calçada de subúrbio, esquecida como todo bairro de subúrbio, desprezada como tudo que não é cartão-postal. Você respirar pausada e sofregadamente, sentindo aflorarem aqueles pensamentos que vivem nos subúrbios do seu espírito, que você tange sistematicamente para as periferias da sua alma. Pensamentos não-queridos, não-desejados, não-festejados. Mas seus, vivos e presentes. Você se aproxima de dezenas de pessoas que se aglomeram em volta de um pequeno veículo e segue em frente, absorto da curisidade que a cena poderia lhe provocar. Inebriado pelas idéias quase que sempre esquecidas, e que, movidas pela teimosia que lhes é peculiar, lhe invadem a mente, você se permite sentar, olhar para o céu cinza e largar mão das amarras da racionalidade, e você sonha com tudo aquilo que não foi, não é e não será mais você.







É, não dá pra descrever, não dá pra visualizar, você não pode sequer imaginar que outras vidas possíveis você teria vivido se tivesse entrado nessa ou naquela bifurcação da vida. Buscar pela memória os pontos de separação dos caminhos faz parecer que em cada dia, o caminho se dividia. A cada momento, uma decisão. Em todo instante, tantas possibilidades. Depois de um tempo, parece que tudo foi uma reta, mas olhando de perto cada trecho, é possível ver uma infinidade de setas, indicações, advertência e avisos de outros caminhos. Claro, o mais importante não é para onde vai o caminho, você sabe que a ironia é que ainda que haja um destino final, todos morrem antes. O mais importante é o caminho. E tentar seguir em frente, marcando bem as pegadas para, se precisar voltar, saber por onde.
Então, você gira nos calcanhares, de uma forma engraçada e infantil, e sorri. Você volta para o metrô. Quando chegar em casa, você vai dormir.
enviada por Ethan Green






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