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08/04/2005 11:11
Rua das Acácias Abandono. Fome. Necessidade. Paura. Depois de horas de lágrimas e soluços durante a madrugada, você hesita em admitir a idéia de faça parte da maioria que "ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta", mas a prática do dia-a-dia é clara e sem pudores: você não encontra nada que lhe dê prazer, satisfação ou mesmo um simples motivo de acordar. A vida goteja marasmo sobre sua cabeça, enquanto você precisa trabalhar, pagar contas, estudar para poder pagar outras contas e não envelhecer miseravelmente. Você questiona a obrigação de comer todos os dias, duas vezes por dia, a comida que muitas vezes parece insossa, mas que é muito melhor "levante as mãos para o céu, meu filho " que simplesmente não tê-la. Você se permite a inutilidade de chorar copiosamente, ainda que tentando manter um silêncio civilizado, para não perturbar seu amigo que dorme no quarto ao lado. Você se permite chorar, mas reclama aos deuses que alguém possa ao menos saber que você chora, porque chora. Talvez seja mesmo pedir demais, isso nem mesmo você sabe. Medo. Solidão. Abandono. Você cultiva essas sensações, maximiza-as para acostumar seu espírito para o futuro que você consegue vislumbrar de onde você está.
enviada por Ethan Green
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