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11/11/2004 18:53
Clarice Índio do Brasil Nesses dias, escurece tarde, e você tem mais tempo para tentar perceber, ainda que superficialmente, os sentimentos, alegrias, prazeres e dores que parecem emanar das esquinas e recantos da cidade. Você já não sente mais falta dos seus próprios sentimentos, tanto tempo que você se tornou inábil de produzí-los, tanto tempo que você já afundou no lamaçal da insensibilidade e dormência. Você sente o cheiro das sentimentos alheios, e já não lamenta suas faltas. Você se sente uma dessas velhas árvores que cerceiam a esquina com a Muniz Barreto. Grandes, fortes e serenas, cobertas de ervas daninhas.A tristeza e a desesperança já cresceram tanto, e se enraizaram de tal foram no seu dia-a-dia, que você já não mais distingue quando é um dia de sol ou um tormentoso dia de tempestade. Você sente a anestesia que a conformidade lhe trouxe. Você senta aos pés de uma dessas velhas árvores, que já não produz mais brotos, só degenera e serve de alimento aos insetos e às trepadeiras. Você se entrega. Que venham os vermes.
enviada por Ethan Green
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