C I D A D E V A Z I A



Sinta-se desconfort�vel na Cidade Vazia.

Aqui � o meu Lar, aqui eu vivo, aqui eu estou.

Fora daqui, existe alguma coisa?

Ethan Green



Lim�ozinho

Gene Podre

Rumo � Tempestade





11/10/2004 10:42
Praça Paris. A infância para você é como um filme que você gosta, quer contar para alguém, mas não se lembra de quase mais nada. A barulhada do centro fica para trás, você diminiu o passo, para sentir o clima úmido e embolorado da rua da Lapa. O cheiro de escapamento de caminhão com pipoca parece não incomodar os habitantes locais, sejam bípedes ou quadrúpedes. Você raspa o fundo do tacho da memória atrás de velhos perfumes, velhas cores e sabores de um tempo de ingenuidade e espanto. Você estupefato, imaginando as maravilhas que os livros contavam, que a TV recriava, e que sua avó enchia de estórias e detalhes fantásticos. Você curioso sobre o passado, seduzido por um mundo que não existe mais. Obras faraônicas modificaram toda a estrutura da cidade e você chega a ser capaz de sentir saudade daquilo que você só viu em sua imaginação. Grandes avenidas, palácios, parques, morros, casas, detalhes, arabescos, fontes e chafarizes que emolduraram emoções, vida e morte de milhões de pessoas que vagavam por essas ruas antes de você. O perfume da terra molhada recria um clima de tarde de sábado. Você se apoia na amurada da glória, desce os gentis degraus que outrora levavam seus passantes ao mar e segue lentamente, entre mendigos e domésticas apressadas, até a praça. Você gostaria de andar mais um pouco e ver, logo ali naquele banco da direita, os casais que um dia ali namoravam, o bicheiro que disfarçava seu trabalho ou o inesquecível sambista que naquele mesmo banco desistiu da vida e tomou uma dose fatal de formicida com guaraná. Na impossibilidade de ver qualquer cena desse passado, você se senta , olha em volta e canta um velho samba-canção, antes que a praça também os esqueça.
enviada por Ethan Green






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