C I D A D E V A Z I A



Sinta-se desconfort�vel na Cidade Vazia.

Aqui � o meu Lar, aqui eu vivo, aqui eu estou.

Fora daqui, existe alguma coisa?

Ethan Green



Lim�ozinho

Gene Podre

Rumo � Tempestade





15/04/2004 07:05
Rainha Guilhermina. Seus músculos contraídos, nervosos, tesos, rijos e poucos confiáveis, mostram-se beirando a exaustão. Seus membros tentam lhe convencer a parar, a deitar, a aceitar sua falta da vocação para tais esforços físicos. Os pulmões aceleram, bombeiam lufadas e mais lufadas de ar, provocando um som pesado, carregado de cansaço e esforço. Você ainda resiste, hesita em se entregar ao descanso óbvio e iminente. Você tenta resistir mais alguns segundos, segundos sofridos, cada um demorando eras e eras glaciares para terminar. Você precisa resitir. Você sente que sua vida depende disso. Não. Sua vida seria muito pouco, seria melhor desistir. Sua sanidade, ou o que resta dela, é o que está em jogo. Se você se levantar e decidir ir embora, alcançar a rua e acalmar suas desritmadas pulsações, você será, definitivamente, o resto daquilo que você sempre repudiou. Não, ainda não. O suor escorre pela sua testa, enquanto músculos que você nem imaginava que existia tremem, provocando um tremor coletivo, que percorre todo seu corpo e impede qualquer outro tipo de pensamento senão o desejo de se movimentar. Você desfaz na hora certa, e se sente invadir por um orgulho raro e fugaz, uma sensação de poder, força e domínio. Claro, isso dura pouco. Um intervalo e é o momento de outra permanência. Você sente o ar invadir cada parte dos seus pulmões, enquanto percebe que a mais difícil permanência não é do corpo, é a do pensamento, ácido, sempre provocando queimaduras dolorosas e cicatrizes vitalícias em seu espírito.
enviada por Ethan Green






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