C I D A D E V A Z I A



Sinta-se desconfort�vel na Cidade Vazia.

Aqui � o meu Lar, aqui eu vivo, aqui eu estou.

Fora daqui, existe alguma coisa?

Ethan Green



Lim�ozinho

Gene Podre

Rumo � Tempestade





03/03/2004 01:12
Travessa do Ouvidor. Você está pelo menos duas horas adiantado, e resolve se sentar um pouco. Está quente, calor mesmo, abafado como deve ser o clima de uma floresta minutos antes da chuvarada. Você sente o cansaço subir pela suas pernas, e o desânimo tomar de assalto seu espírito. As dores se confundem, e você é incapaz de distinguir onde uma começa e onde a outra encontra suas causas. Você tem vontade de dormir, de sumir, de não pensar, de inexistir. Viver é cobrar-se. Cobrar-se por realizações por ser e, pior, por estar feliz e satisfeito com nossa ração e nossa cota de sono diária. A rotida e o tédio entorpece, inebria, vicia: você só sabe viver assim. Você quer outro modus vivendi, dinâmico, bravo e brilhantemente ambicioso. Bobagem. Você mergulha em um universo de desejos que nunca serão atendidos, vontades que serão devidamente esquecidas e sonhos que ainda resistem por pura crueldade divina. Você chama de medíocre e triste a estrada que se revela aos seus olhos, mas só lhe restam os impulsos de prosseguir, de olhar para o futuro com a resignação dos budistas e a ignorância dos fundamentalistas de qualquer crença. Antes que o suor comece a ser incômodo, você se levanta e se permite distrair-se, deixando o vento, os sons ritmados e a pulsação da Rio Branco arrebatar-lhe para o silêncio do não-saber coletivo.
enviada por Ethan Green






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