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19/02/2004 01:09
Professor Gastão Bahiana. "É de manhã bem cedo, a rua desperta / Na primeira hora, sinto falta de você" Você cantarola a música do Pato Fu enquanto o dia ensaia começar. Luz do sol ainda tímida, espreguiçando-se por entre as nuvens, que se refugiam nas montanhas e formam um translúcido cachecol em volta da Pedra da Gávea. Você vê a Lagoa do alto, e de lá ela parece um espelho, espelho mágico refletindo as mesmas nuvens, que nele ganham novos movimentos, novas nuances, novas camadas de cor e de textura. Espelho emoldurado por uma ou duas colunas de trânsito feroz, fumaça e muita pressa. De onde você está, aquilo tudo lembra um carrossel: todos girando, acenando e passando sempre pelo mesmo lugar. Mas não, não estão confraternizando. Todos parecem decididos e cientes do que fazem e para onde vão. Exceto você. Você anda lentamente, passos largos, zigue-zagueando entre o meio fio de paralelepípedos grossos e os muros altos dos prédios luxuosos que margeiam a Lagoa. Todas as pessoas, com seus refrigeradores de ar e carros potentes, parecem saber a que vieram. Você ainda não sabe pra quê foi chamado. Qual será a razão de estar-aqui, de estar consciente, de acordar, de comer? É, então, por não ter as respostas, que você pega mais um desvio: está cedo, você ainda tem tempo até sua aula... você pode andar mais, ainda mais, um pouco.
enviada por Ethan Green
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